domingo, 24 de fevereiro de 2008

Something Changed

10 anos

Nunca ficamos com aquilo que amamos...
J.M.
30/11/2007

Elogio do Amor

Há coisas que não são para se perceberem. Esta é uma delas. Tenho uma coisa para dizer e não sei como hei-de dizê-la. Muito do que se segue pode ser, por isso, incompreensível. A culpa é minha. O que for incompreensível não é mesmo para se perceber.Não é por falta de clareza. Serei muito claro. Eu próprio percebo pouco do que tenho para dizer. Mas tenho de dizê-lo. O que quero é fazer o elogio do amor puro. Parece-me que já ninguém se apaixona de verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão.Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado. Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria.Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e à mínima merdinha entram logo em “diálogo”. O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios. Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões.O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem. A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão prática.O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam “praticamente” apaixonadas.Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há, estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço.Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje. Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do “tá bem, tudo bem”, tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, bananóides, borra-botas, matadores do romance, romanticidas.Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo?O amor é uma coisa, a vida é outra.O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida, o nosso “dá lá um jeitinho sentimental”.Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso. Odeio os novos casalinhos.Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores. O amor fechou a loja. Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade.Amor é amor. É essa beleza. É esse perigo.O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz. é uma questão de azar.O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto. O amor é uma coisa, a vida é outra.A vida às vezes mata o amor. A “vidinha” é uma convivência assassina.O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima.O amor não se percebe. Não é para perceber. O amor é um estado de quem se sente.O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende.O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser.O amor é uma coisa, a vida é outra.A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem.Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz.Não se pode ceder. Não se pode resistir.A vida é uma coisa, o amor é outra.A vida dura a Vida inteira, o amor não.Só um mundo de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também.
por Miguel Esteves Cardoso in Expresso

terça-feira, 14 de agosto de 2007

domingo, 17 de junho de 2007

Dez mandamentos

1. Tu combaterás o teu conformismo.
2. Tu serás o mensageiro da liberdade.
3. Tu utilizarás a sexualidade.
4. Tu reinventarás a vida.
5. Tu elevarás a alma.
6. Tu oferecerás o tu amor.
7. Tu criarás uma arte artificial.
8. Tu perseguirás o teu objectivo.
9. Tu não serás exactamente o que és mas não deixarás de ser.
10. Tu darás qualquer coisa em troca.

Os sons que embalam a memória...


Perpetuum Mobile, Cafe Penguin Orchestra

sábado, 16 de junho de 2007

A realidade é alcoólica



Uma solidão demasiado ruidosa, Bohumil Hrabal

terça-feira, 8 de maio de 2007

Memória

Príncipe de melhores horas, outrora eu fui tua princesa e amámo-nos com um amor doutra espécie, cuja memória me dói.

Fernando Pessoa, Livro do Desassossego

terça-feira, 27 de março de 2007


Em nome da tua ausência
Construí com loucura uma grande casa branca
E ao longo das paredes te chorei.

Sophia Mello Breyner Andresen

quinta-feira, 22 de março de 2007

Bleu II


A descoberta da Arte...

Embriaguez

embriagavas-me tanto com(o) o doce vinho branco que me ensinaste a apreciar que eu derramava generosamente nos copos de cristal comprados a propósito embora não fossem realmente de cristal gostavas desses copos tanto como eu e agora enchem-se de pó e esquecimento num canto do meu sótão vazio sem as espirais de fumo dos teus cigarros pensados lentamente a seguir ao deleite dos corpos sob a luz das estrelas envolvidos que estávamos na escuridão celestial do prazer
embriagavas-me de palavras e de silêncios na imensidão das noites partilhadas e deixávamos que o delírio da criação nos inflamasse até à exaustão dos sentidos até a mediocridade lá fora se tornar tão insuportável como uma peça de roupa que arranha o corpo e que despíamos para experimentar a embriaguez da pele quente
embriagavas-me no silêncio de uma música nossa os meus gestos presos ao infinito sempre à espera deste inevitável a tua mão na minha sempre a acalmar os meus demónios afinal eu adivinhava a mentira que tu vestiste com estonteante leveza como se eu não fosse a (única) pessoa que te estava no sangue
a minha embriaguez eras tu 48 horas de um dia vivido a dobrar por ti e por mim
embriagavas-me (apenas) com o teu olhar que permanece tatuado em mim e nesse torpor eu acreditava em tudo e queria tudo como se pudesse querer tudo como se me fosse permitido ter tudo
embriagavas-me tão simplesmente com o poder que tinhas para me embriagar
embriagavas-me os sentidos os meus olhos a brilhar na embriaguez desconcertante de te Amar
embriagavas-me com a tua sensualidade o toque aveludado dos teus dedos que nunca se enganavam deixavas-me ao rubro com o calor do teu corpo moreno de sol apertado no meu e os teus lábios que me devoravam ao mesmo tempo que falavam de eternidade calavam a fatalidade desta dor
e depois do vinho das palavras dos olhares do amor embriagava-me com o teu sémen oferecido como recompensa da minha loucura descontrolada por ti
embriagava-me quando te estava a perder e ainda não o sabia
embriaguei-me sozinha quando descobri como abrir as portas que te seduziam mais do que eu até não me reconhecer tanto tinha mudado porque me ensinaste a aprender e a ver na sombra dos teus olhos e um dia como Rimbaud eu vi a Beleza e como Rimbaud eu a acolhi no meu regaço
tentava embriagar-me quando te esquecias de mim para me esquecer que te esquecias de mim eu acabava por adormecer bêbeda de sono e cansaço as lágrimas a rasgarem-me a face sempre a arderem-me nos olhos equivocados
confesso: estive sempre embriagada, mas não era do doce vinho branco que te servia em copos de cristal que afinal não eram de cristal era de ti…

sexta-feira, 9 de março de 2007

Utopia


Absolut e Coincidências.

Traços...

Traços de luz, memórias de ti...
Por J.M.

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2007

Sentimento...


-"Continuarei sempre à espera de ti."

quarta-feira, 24 de janeiro de 2007

King

Local de encontro com a Arte...livros, um café, um cigarro, um filme, a tua mão na minha...

-"Toma, leva todos os postais!"

O “Sentimento” cumpriu-se como um “paradoxo metafórico-figurativo” (palavras de outrém...) sobre nós. O King é uma entidade viva, desde a minha primeira vez intuiu o desfecho fatal.



domingo, 21 de janeiro de 2007

Ondas de Paixão

www.domomladine.org

Breaking the waves, Lars Von Trier, 1996

O Amor é maior do que a Vida.

Fanatismo

J.M., 1996

FANATISMO

Minh'alma, de sonhar-te, anda perdida
Meus olhos andam cegos de te ver!
Não és sequer razão do meu viver,
Pois que tu já és toda a minha vida!

Não vejo nada assim enlouquecida...
Passo no mundo, meu Amor, a ler
No misterioso livro do teu ser
A mesma história tantas vezes lida!

Tudo no mundo é frágil, tudo passa...
Quando me dizem isto, toda a graça
Duma boca divina fala em mim!

E, olhos postos em ti, digo de rastros:
«Ah! Podem voar mundos, morrer astros,
Que tu és como Deus: Princípio e Fim!...»

Florbela Espanca

terça-feira, 16 de janeiro de 2007

Nos anéis de Saturno




-"Qual é o planeta dos anéis?"

-"Saturno."

-"É lá que estou!"